quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O Pai que eu perdi hoje.



Dia I
Percebo que estar tudo bem é sinônimo de tempestade, e das grandes. E esta, parece não ter fim. Fui traída e não tenho a menor ideia de como essa dor vai passar, se é que ela vai passar. Ainda choro, e já está de noite. Meus pensamentos se resumem em suicídio e suicídio. É impossível pensar em outra coisa, não quero vê-lo, nunca mais.

Dia II
Acordei com os olhos inchados e assim fiquei o dia todo, tento me distrair mas nada me tira a agonia da cabeça, e o aperto no peito. Mais uma vez penso em suicídio, e vejo que já fui esquecida, trocada por outra pessoa, que segundo ele, diz ser mil vezes melhor do que eu. Exibe tudo o que fez por mim, que na verdade não foi nada além de bens materiais, presença, o que realmente importava, não tive.

Dia III
Hoje ele não apareceu, e não foi por isso que eu não chorei, mais uma vez acordei com os olhos inchados, e acho que não ira diminuir tão rápido.

Dia IV
Mesmo que morrer seja a única saída a vida, acredito que não possa fazer isso, ainda devo ter razões, mesmo que estejam ocultas por tanta dor. Ele voltou pra casa, descobri suas mentiras, e descobri da pior maneira possível. E não vejo outra saída, não vejo.

Dia V
Eu queria que tudo acabasse hoje, simplesmente fosse levada minha vida, e nunca mais voltasse. Apesar de já estar pouco mais tranquila, nada vai mudar a partir de hoje. Nem anti-depressivos, nem café, nem amor... Nada trará de volta o Pai que eu perdi.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

antiga perseguição

É quanto tupo perde o sentido, de novo, que a história da queijadinha faz sentido. A felicidade em fuga, do doce do café que anula, o suave sabor daquele doce, como qualquer tristeza que permanece, insistente em te fazer deixar par trás o que menos desejo nesse momento. Fechar os olhos, brandos  nunca mais os abrir, uma vez por toda, parece a solução mais fácil, ao menos parece.


Quero me deixar cair, esvair, nunca mais ter que olhar para minha própria imagem, não de novo, já chega, estou farta! Correr, ir embora, mesmo sem ter pra onde, isso tudo me mantém deprimida, e se pudesse, tiraria minha própria vida. Vejo cordas, vejo metais, e só penso nela, ela me persegue, me chama o tempo todo. Estou resistindo, e logo, vendo-me render a tentação. 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A falta de II

Eu sinto falta
Do maravilhoso manto
No qual eu me deitava
Da sua aura,
Que meu corpo abraçava

Sinto falta do afresco,
De sua pele junto a minha
Do meu coração,
Que palpitava junto ao seu

Sinto falta,
Da falta que você faz...
...Da sua falta
Tiro minha dor
Minha tristeza

Da sua falta
Eu tiro a minha vida

Aonde estará agora
Aquela aura que me deixou?
Porque fora embora?
Ah, minha grande aura
Eu te amava.

Minha delicada cúpula de cristal,
Achei que era dessa vez que seriamos felizes
Ah, cúpula de cristal
Espero que um dia me perdoe
Pela incompetência dele

E obrigado,
Pela doce aura liberta
da cúpula de cristal

A falta de I


Eu sinto falta do meu lar
De pessoas pra cuidar
Eu sinto falta de mim
Porque não tenho mais um lar
Nada mais me motiva
Todas as minhas folhas
Foram lançadas ao ar
Eu desisto da vergonha
Desisto da amargura
Talvez um pouco de luxuria
Complete o pedaço vazio
Sinto falta do meu lar
Eu adoraria voltar
Mas infelizmente,
Você deixou de me amar
Eu não quero mais te forçar
Nunca mais entrarei em casa
Seguirei em frente
Entrarei na profunda floresta
A mim não pertencente
-
Minha preocupação em vão
Tanta felicidade inútil
Devolvi seu coração
Por ter rejeitado o meu
Não tente mais voltar,
Por favor,
Não tente mais voltar

sábado, 16 de abril de 2011

Individualidade tardia


Eu não respeito individualidades quando veja que a minha própria está ferida.
Não acredito em opinião alheia, um bando de asneiras. Belas mentiras encaixadas de maneira tão espontânea. Como será que conseguem mentir tão intensamente?
Eu não sei deixar me levar, não sei guiar. Não fui treinada pra isso. Fui treinada pra viver, e apenas isso.

Eu preferi muito mais a ti do que a mim, e é assim que vai ser até o fim.

Eu já não me sinto mais, não estou mais comigo. Aonde estaria, eu não sei. Tantas vezes correndo atrás da minha própria personalidade, acabei afogando-me numa tina de infinitos juízos falsos.
Tudo o que eu penso é em fugir, correr, para bem longe, me esconder para sempre de Eu. - Até sempre - Eu me amedronto, eu não quero ser Eu. E ainda dizem, eu detesto quando falam. Detesto quando agem, eu detesto convivência.

Talvez ainda não seja tarde para tudo isso, mas Eu já se afastou tanto de mim, que eu prefiro continuar sem. Todos precisam de si próprios. E nada, jamais apagará a dor que eu sinto em não mais me ter. Nada.

... eu detesto individualidade.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sonho desesperador

A Luz turva, amarelada como num fim de tarde, era intensa e saia com a maior facilidade dentre o que parecia ser duas imensas paredes, realmente muito altas, e muito grossas, revestida com pequenos e vermelhos tijolos. Assim que as pupilas adaptaram-se a luz, senti em meu braço direito uma mão, parecia estar me segurando a muito tempo já, ainda com as mãos frente ao rosto, os malditos raios solares ainda me incomodavam a visão. Segurei no rosto dele, mas não via nada, minhas mãos pareciam encaixar-se ali, como se fossem feitos sob medida um para o outro, minhas mãos, e o rosto do mesmo - e de pele não muito macia, parecia ter barba -.

Ouvia-se pessoas, por todos os lados, mas eu não conseguia enxergar nada, olhava ao redor e olhava, não vida algo ou alguém, até que o barulho do trem na plataforma seguinte despertou-me a visão, e foi aí que cheguei a sã consciência, e notei, que estava em lugar algum, sendo apoiada pelo braço de alguém qualquer. E então, caindo em mim mais uma vez, reparei que eu era outro alguém, mas quem eu era? - Parecia ter caído naquele corpo de repente, olhei para minhas mãos e finalmente minha visão voltara, podia ver as inúmeras e descartáveis pessoas ao redor, com suas vidas vãs e apressadas, sempre, sempre apressadas, era a impressão.

A estação era enorme, paredes altas, grossas, muito escura, muitas escadas, muitos corrimões, muitas, muitas pessoas, indo e vindo, saindo do trem nas outras plataformas, entrando, descendo as escadas, ai, Deus, o que é tudo isso? Aonde eu estou? - Eu vi um relógio, eu sabia ler as horas, mas não saberia escrever meu nome. Não sabia quem eu era, ou como eu era, não conseguia lembrar-me nem de meu próprio rosto.

Assim que o trem parou na minha plataforma, ele abriu as portas, já vazio. Não era um trem azul e vermelho, grandes vidros escuros, e os das portas chegavam a refletir o tal sujeito, como os trens das outras plataformas, era o único trem marrom, sujo, acabado, com vidros mais do que riscados, e bancos quebrados, de fibra de vidro, ainda segurando-me pelo braço, com força que chegava a doer. Não o olhei por muito tempo, achei que não devia, vergonha e medo, e entramos no trem. Eu apenas o segui, não tinha mais para onde ir, se tinha ele, deveria estar tudo bem, se estava comigo, logo pensei que eu deveria confiar nele antes de me perder em mim. Continuei calada, e ele me abraçou deixando meu rosto rubro. Seu abraço era aconchegante e ponto de despertar-me vontade de fechar os olhos e deitar em seu peitoral largo, mas me contive, nem sabia quem era, deixei então que as horas me contassem. Eram quase três, ou quatro da tarde, como o sol denunciava mesmo, não me lembrava corretamente das horas, minha mente pensava em um milhão de coisas ao mesmo tempo. E a viagem foi longa. Ele usava uma boina sobre os cabelos longos e negros, logo acima da jaqueta de couro, me reclinando mais para a frente, pude ver seus óculos, mas voltei rápido à posição anterior, antes que ele se virasse e me olhasse.

Me parecia ser lindo, tentava vê-lo a cada toque, em cada estação, mas ele não se mexia, parecia refletir sobre o que faria. Então, alucinei que ele se livraria de mim, ou quem sabe, por uma esperança encantadora, ele me deixaria em casa e me chamaria pelo nome. A viagem de trem foi realmente longa, paramos na ultima estação da linha marrom, ou ao menos, era essa a cor da linha no indicador acima da porta. Já estava escuro, muito pouco o sol insistia em aparecer, mas era derrotado pela lua, que estava cheia, e brilhando intensamente, esnobando todas as luzes daquela rua de paralelepípedos, os postes negros, altamente desnecessários, realmente parecia Londres, mas a certeza era real, eu jamais teria saido do meu país de trem - a certeza de estar nele, era conseguir ler poucas coisas que eu consegui ver, e que tinham palavras contidas nelas-.

Em uma das muitas portas de madeira rústica adentramos, ele ainda me abraçava, como se fosse meu companheiro, mas não disse uma só palavra. As escadas de ardósia, assim como os demais pisos e escadas dentro da pensão me davam a sensação de frio. As paredes mal pintadas, mobilia de muito mal gosto, o sofá de corino, sujo, rasgado e seco. Aah, mas no canto havia um vaso de flor, muito bonito, o vaso, pois flores, ali não deveria ter à anos, até tinham, mas estavam mais secas que páginas de livros antigos em papiro - ri comigo mesma -. Logo, decepcionei-me com minha própria distração, oras, perdi ele falando algo com a recepcionista, isso porque estava do lado dele, e nem abraçando-me estava mais, o que me dava mais frio, ou talvez fosse esse o motivo da sensação de queda de temperatura, ele subiu as escadas, calado, e eu, fui atrás. Assim que ele abriu a porta, adentrou a mesma, no quarto pequeno, haviam duas beliches situadas nos cantos do mesmo, e no meio, quase que encostando nas camas laterais, uma cama de casal, nenhum pouco confortável ou limpa. Ele retirou os sapatos e os chutou para debaixo da cama. Me entregou seu casaco, colocando-o sobre meus ombros e deitou-se. Não sabia mais o que fazer, apenas o seguia fielmente, na esperança de que ainda me contasse algo, mesmo que não o ouvi pronunciar uma só palavra. Deitei-me ao seu lado, o colchão era fundo de tão gasto e o cobertor não me ajudava no frio, para me ajudar a constranger, a cama rangia, e havia um temeroso espelho frente a cama, numa espécie de penteadeira, que mais parecia um porta guarda-chuvas devido a tantos buracos na madeira pintada de azul, deveria ter muitos cupins, mesmo.

Assim que a respiração dele tornou-se inconsciente, eu tomei a coragem de olhá-lo, meu rosto estava quente e minhas mãos suando, mas quando o fiz, já estava tão escuro no quarto, que mal enxerguei seus ombros, estava com medo, muito medo. Minha mente vazia e sem lembranças, louca para me enganar. Arrastei meu corpo lentamente até o dele, que estava muito, muito quente por sinal, e deitei minha cabeça sobre o ombro do mesmo, assim adormecendo.

- O texto acima descrito, é fiel a um antigo sonho. Que de tão real, chego a lembrar-me detalhadamente até hoje.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lupéluco III - Quase um ato

Alma é o nome designado à aura que ocupa o seu corpo físico.

Esta ausência de matéria nos persegue.


Lupéluco III – Quase um ato

Finalmente parecia querer acordar, sentava-se à beira da cama, a observava, era bela, e gemia de forma tão doce ao despertar, o hipnotizava e encantava cada vez mais. Ela espreguiçara, esticara os braços ainda por baixo das cobertas, logo que esfregava os olhos ela os abria, com tamanha dificuldade que seu coração começava a acelerar – Havia algo errado consigo? – e quando finalmente conseguira abri-los, não via nada mais do que vultos, tão distantes e embaçados, insuficientes para que pudesse saber o que diabos estava a um palmo do seu nariz. Sentava-se na cama, num ato de desespero, piscava inúmeras vezes e esfregara os dedos nos olhos.

- NÃO! Não se aproxime!

Temerosa, gritava com o rapaz, que gentil, segurava suas mãos, desesperado para que ela acalmasse.

- Hei, estou aqui, lembra de mim?

A voz lhe parecia tão calma, que os gritos cessaram-se instantaneamente. Deitava-se na cama, sendo guiada pela palma da mão quente do rapaz em sua testa. O mesmo deslizava a mão por seu rosto, fechando-lhe os olhos. Era extremamente calmo, e tinha cheiro de camomila, parecia tão familiar – poderia ser algum parente, ou irmão, até mesmo marido. – mesmo que não soubesse quem era, parecia estar bem com ele, tomava então a decisão de deixa-lo apenas como um amigo muito querido, transmitia tanta confiança para ela, que jamais iria coloca-lo como qualquer outra Pessoa, jamais.

O rapaz, logo tratava de fechar as cortinas do quarto, uma a uma, enquanto ela levava as cobertas ao rosto, protegendo suas frágeis retinas, embranquecidas.

- O que aconteceu? – Parecia ser óbvio para ele, certamente lhe diria a resposta.

- Ah, por quê? – Não posso ver.

Não podia ver? Jamais olharia para meus olhos então? – Não se preocupe. Foi tudo o que disse para que a conversa mais uma vez viesse a ser um silêncio tímido e frágil, mas muito confortável.

Voltava para a cama, entre o acolchoado macio e ela, que permanecia de olhos fechados, ela sentia-o sentar-se ao seu lado. Sentava-se também, deixando ambos os corpos tão próximos que chegam a tocar-se pelos movimentos do tórax devido à respiração. Ele olhava fixamente para os lábios dela, agora ainda mais vivos e intensos, rosados e chamativos, pareciam realmente macios, e o chamava insanamente. Deslizava forçadamente o olhar pelos ombros da garota até que o mesmo chegava em seus seios, ressaltados no pijama que era dele. Eram belos, arredondados e firmes, não resistindo; ele voltava para o hipnotizador par de lábios da garota, passava a língua pelos seus próprios prendendo o inferior entre os dentes, aproximava-se do seu belo rosto e devagar e astuto quanto um filhote de gato.

Ao sentir a respiração do rapaz, tão próxima e quente, assustava-se, não sabia que reação teria de tomar, era confortável a princípio, mas passava a ser incômodo a partir do momento em que a garota percebera que ele não era nada dela, nada, poderia não ser ninguém, era o que sentia – mas e se fosse alguém e ela o recusasse, o que aconteceria? Ficaria bravo com ela? – afinal, ela dependia desse rapaz, e não poderia decepciona-lo assim, tão facilmente. Deixou aproximar-se, mas quem bloqueou a ação foi o próprio rapaz, parava ele, entre as peles alvas e macias, entre o fôlego ardente e desejoso, tão sutil – Não, não posso – Ela lhe parecia tão pura. Tão intocável. Não poderia deixar-se cair em tamanha tentação, não sabia quem era, não sabia porque estava ali, apenas estava, e quase tudo o que se bastava para ele. Não sabia mais o que fazer, o desejo havia lhe tomado quase toda a porcentagem de seus pensamentos, era inútil resistir, um dia cairia na armadilha de sua bela, Branca.

Enquanto isso, o que será que ela estava pensando, questionava-se, era tão forte e puro o sentimento, tanto quanto ela mesma. Seus cabelos ruivos, porque teriam de ser de forma tão perfeita e atraente para ele?

Ela o abraçava surpreendendo-o de forma tão rápida, que o mesmo se assustava, deixando-o retraído e insensato, como se nada mais importasse naquele momento. Ela o amou, para ela estava bom, poderia morrer ali, como se fosse a missão completa, como se fosse... – Chega – ele a envolvera nos braços, ainda mais forte do que ela havia feito, assim que deitaram a cabeça nos ombros um do outro, ela suspirou, intensamente, relaxava.

Sentia-se a mulher mais protegida do planeta. Apensar de não se lembrar do rosto dele, o mesmo lhe parecia lindo e fascinante.

Desejava que ele fosse seu

que fosse dele

desejava.