segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Confissão

Meu coração te pertence, desde aquele dia, desde antes, a partir de agora

Minhas lágrimas te pertencem, sua dor é a minha dor, tudo está ligado num grande ciclo vicioso, eu tenho medo de dizer que sim e de não ser, eu tenho medo de achar que não e ser.

Eu tenho medo de ser, de estar, de permanecer, de crescer. Quero que esteja ao meu lado todo o tempo, quero você pra mim. Eu confesso que tenho medo, mas confesso que tenho medo de ter medo. Tenho medo de não tentar, de nunca acontecer, tenho medo de errar, e de errar por nunca tentar, tenho medo de tudo, tenho ciúmes louco por todos.

Eu confesso, confesso que você sempre está aqui, comigo, mesmo que eu não me lembre todo o tempo. Um sábio me disse um dia que isso acontece por uma auto-defesa, que eu tente te esquecer, pois dor de Psi – vulga distância – assim seria sentida de maneira menor.

Tenho medo da reação, tenho medo disso, daquilo. Eu quero ter certeza, quero saber se é válido, se serve se é bom... Quero saber se é real, quero saber se vai ser pra sempre.

Nada nunca foi suficiente, você é a pessoa mais perfeita que eu já conheci na minha vida. Eu sempre estarei aqui.

Ømicrøn não é o vazio persistente, isto é cargo de Psi.

Derivado do alfabeto grego, em uma ordem inadequada.

Mi

Ni

Psi

Omicron

Se não fosse por Psi, estaríamos mais perto de Omicron


Confesso que o ar que eu respiro é rarefeito, confesso que meu coração é congelado sempre que ouso a sua voz, confesso que nada pra mim é o suficiente, confesso que busco por você incessantemente dentro de mim. Confesso que... Talvez eu te pertença

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pequena, gigante e branca. [ Parte única]

Ainda era manhã, eu notava o orvalho correr dentre as folhas, pingando uma a uma até encontrar a gélida e úmida grama, agora sob meus pés, já era a terceira noite que eu passava em claro, é triste não ter companhia para essas horas.

E mesmo com os primeiros raios matutinos, ainda não era dia, e eu então notei que havia algo diferente, havia ainda um luz branca muito branca apontando às 08:00 horas, um corpo celeste ainda reluzente em meio a tantos raios ultra-violeta, ainda reluzia com toda a força que podia, meu pálido rosto, marcava-se facilmente com o que era pressionado contra este, estava tão frio que demarcavam-se as veias, e outros pontos, de branco a roxo.

Continuei deitada, largada na grama, apenas olhando-a, era tão lindo, ver como lutava para não ser apagado pelo sol, resolvei tomar aquele corpo para mim. Parecia-me calmo e brando, como eu, paciente e persistente, coisas que eu admiro em qualquer ser humano que eu encontre. Já era quase 07:00 quando me levantei e entrei na cozinha, a mesa do café estava servida, mas não havia mais ninguém em casa. Fico pensando as vezes, se eu cochilei durante o devaneio. Eles costumam ser profundos a ponto de eu perder a noção de mim.

Minha mente não se passa de uma grande folha em branco, e as minhas idéias são muitos gizes de cera coloridos, minha imaginação os toma para si, e pinta com estes a minha vida, por isso sou tão alegre, acredito. Imagino que nas pessoas depressivas suas idéias sejam nanquim.

Não tomo café, não como logo de manhã, só tomo água normalmente, é difícil dizer ao certo o porquê, mas li em algum lugar que isso faz bem, ou foi eu que em um dos meus muitos devaneios imaginei isso, e acabei por acreditar, já foram tantas vezes que eu nem me lembro.

Acabara o copo d’água, e eu fui até a janela, observar se meu corpo celeste ainda estava lá. Mas ele havia sumido. Fiquei triste, por não poder vê-la, mas sei que ela está lá, que a luz dela não se apaga com o sol, não para ela mesma, ao menos, e mesmo que ela tenha morrido, a luz dela continuará lá, por muito tempo, muito tempo, muito tempo mesmo.

Todas as noites agora passo a fazer companhia para ela, ela deve sentir-se sozinha lá, como eu aqui, e agora nos completamos, eu me sinto bem perto dela, ela me ouve, e me entende, sabe dos meus problemas, se parece comigo e eu me pareço com ela. Gostaria que esta estivesse mais perto – e mais longe – dependendo da situação que ela esteja, é difícil de dizer como eu a amo, sem vê-la, nem tocá-la, é difícil pra mim falar deste tipo de coisa, e só mesmo você pode entender.

Minha pequena, gigante, branca.

sábado, 5 de setembro de 2009

Lembranças?


Minhas lembranças, são vagas, são insanas, incertas e indescritíveis. Não consigo me recordar delas claramente, mas sei que estas estão lá, prontas para serem lembradas.

Há ainda, algo que me impede de fazê-lo, tento, mas não consigo, e mesmo que me lembre, não parece ser real.

Sonhos pra mim
São mais reais
Que lembranças supérfulas
De um passado que eu não quero ver

O que importa é o que vem,
Não o que vai.

Deixo assoprar-me vendo,
Deixo levá-las para longe de mim.

A Gui-le-nii, mesmo que distante ainda querido.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

vazio, parte de mim

Eu me acostumei tanto à solidão, que quando tenho companhia, acabo criando ódio pela mesma.

Sempre soube que a solidão
Era um vazio
Mas não me lembrava
Do quão denso era esse vazio
Tantos dias perto de seres vivos
Voltou a doer

Mas ainda prefiro ser sozinha
Ainda prefiro meu mundo
Eu ainda sou altista
Mesmo depois de tantos anos me tratando.

Eu ainda pertenço a mim
Eu não sou do sol
Eu sou da noite
Gélida e escura
Solitária e independente.

Vazio que dói
Que mata
E que fere
Venha a mim e dei-me o ar de sua graça
Pegue-me para ti novamente
Sou inteiramente sua.

Solidão,
Gelado, escuro
Dolorido
Mas zelo por seu preço
Prefiro o conforto imaginário
Ao risco de derrota prévia.

Foto de: photobucket.com

sábado, 16 de maio de 2009

Lemus, durante o sonho - Fim alternativo

Ainda não é o final real desta historia, pois ela ainda não há de ter chegado ao fim.

- tudo o que você tem não é seu.
Por mais que desejasse ficar ao lado do elegante cavalheiro, não lhe era possivel ainda. Tudo lhe indicava perda, tudo lhe trazia uma marezia gélida e ventos soltos e cortantes.

Apesar de sempre tentar estar por perto, não lhe era possivel, havia outra com seu nobre cavalheiro.
Depois de muito se machucar, lembrou-se de maneira brusca e doce da bela dala que sentara ao seu lado todo o tempo.

Foi neste mesmo instante que deu-se conta de que o amor estivera bem ali ao seu lado, todo aquele tempo, e nunca havia reparado - que tola- pensava sem parar, fazendo em sua cabeça uma imagem retorcida de si próprio. Era lógico que o que gritava incessantemente ao pé do seu ouvido para ser diferente, não era nada do que sempre pensava, e sim, tudo aquilo que sentia. Apesar de lhe restar uma dúvida insolente: "Seria aquela, a pessoa tão almejada?"
O medo de errar sufoca cada vez mais e mais intensamente.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quem sou eu:

Aquele tipo de pergunta que de repente você faz para si mesmo, mas o que você não percebe é que não tem como saber quem é você!
Você é você, eu sou eu e ele?
Cada um é problema seu.
Seguir seu próprio destino, ser felizes sem precisar de ninguém!
Apaixone-se por si mesmo, sorria quando olhar-se no espelho, diga bom dia para aquele que sempre está ao seu lado, nas horas tristes e nos momentos de prazer, você mesmo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Lemus, durante o sonho - Parte II

Era a rosa que havia desabrochado durante a primavera.
Aquele belo botão que toda a beleza guardara durante o tempestuoso inverno, que aguentou com a firmeza de um urso os ventos fortes e cortantes, o rigoroso frio que cortava sem piedade seu rosto, e o mais intenso desprezo por ser um botão tão pequeno e sem vida.

Guardou por anos o melhor de si, para si mesma - prometendo que jamais deixaria que alguém tocasse seu coração de maneira que ficasse nele para sempre.

Lemus, durante o sonho - Parte II

Era bonita, de pele clara e uniforme, de olhos escuros e profundos; de tão pretos, seus cabelos, formavam um brilho azul-petróleo imensamente escuro e sombrio, dando a ela o toque que lhe faltaria, o ar misterioso que levava qualquer um a se perder.

Seus olhos eram eternamente lacrimejantes, sempre tão brilhosos, dando o poder de ser refletidos por qualquer coisa mais luminosa que sua própria pele.

Apesar de tudo o que pensava a respeito de um amor, ela deixava-se levar pelo destino, até que encontrasse em um antúlio, seu grande amor, aquele o qual ela levaria para toda a vida.

E então, coisas simples e detalhadas a levaram para um escuro prédio, com janelas cobertas por gotículas de orvalho -claro já se passavam das 3 horas- adentrou então, ainda que repudiada pelo eco de seus próprios sapatos no piso frio,e ali viu, outra rosa como ela, desabrochada, e que se sentara a espera de seu reflexo.

Deu a si mesma a liberdade de sentar-se ali também. Como eram macias aquele assento, pareciam as nuvens que em seus sonhos pairavam sobre o solo deixando com neblina o ambiente.

Vários cavalheiros vieram ali, retira-la para dançar, primeiro, um homem trajado de terno alinhavado, com uma gravata borboleta, mas sua energia era um tanto hostil. Em segundo, um rapa não muito amigável também, chegou com menos educação que o primeiro. Por terceiro e último, um homem com terno escuro e uniforme, camisa pólo branca e gravata escura, com os olhos tão puros e ingênuos que qualquer um poderia se encantar -sim - e dançaram a noite inteira, ali no centro do salão, era como em seus sonhos.

Ainda sim ela resistiu e não deixou que a tocasse. E assim foi, até badalar meia noite do dia seguinte. Com esse tempo, sem ambos terem dito nem meia palavra um ao outro, ela percebeu que ainda não era aquele, mesmo que por um instante, inconcientemente tivera deixado-o tocar-lhe intimamente.

Voltou a sentar-se ao lado da moça, que ainda permanecera ali, intacta. Era realmente muito agradável estar ao seu lado. Era mais que uma honra, soava-lhe como obrigação.