o tubo de ensaio
Alina e a arte de emitir pensamentos na camada de ozônio.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
O Pai que eu perdi hoje.
Dia I
Percebo que estar tudo bem é sinônimo de tempestade, e das grandes. E esta, parece não ter fim. Fui traída e não tenho a menor ideia de como essa dor vai passar, se é que ela vai passar. Ainda choro, e já está de noite. Meus pensamentos se resumem em suicídio e suicídio. É impossível pensar em outra coisa, não quero vê-lo, nunca mais.
Dia II
Acordei com os olhos inchados e assim fiquei o dia todo, tento me distrair mas nada me tira a agonia da cabeça, e o aperto no peito. Mais uma vez penso em suicídio, e vejo que já fui esquecida, trocada por outra pessoa, que segundo ele, diz ser mil vezes melhor do que eu. Exibe tudo o que fez por mim, que na verdade não foi nada além de bens materiais, presença, o que realmente importava, não tive.
Dia III
Hoje ele não apareceu, e não foi por isso que eu não chorei, mais uma vez acordei com os olhos inchados, e acho que não ira diminuir tão rápido.
Dia IV
Mesmo que morrer seja a única saída a vida, acredito que não possa fazer isso, ainda devo ter razões, mesmo que estejam ocultas por tanta dor. Ele voltou pra casa, descobri suas mentiras, e descobri da pior maneira possível. E não vejo outra saída, não vejo.
Dia V
Eu queria que tudo acabasse hoje, simplesmente fosse levada minha vida, e nunca mais voltasse. Apesar de já estar pouco mais tranquila, nada vai mudar a partir de hoje. Nem anti-depressivos, nem café, nem amor... Nada trará de volta o Pai que eu perdi.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
antiga perseguição
sexta-feira, 13 de maio de 2011
A falta de II
A falta de I
sábado, 16 de abril de 2011
Individualidade tardia
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Sonho desesperador
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Lupéluco III - Quase um ato

Alma é o nome designado à aura que ocupa o seu corpo físico.
Esta ausência de matéria nos persegue.
Lupéluco III – Quase um ato
Finalmente parecia querer acordar, sentava-se à beira da cama, a observava, era bela, e gemia de forma tão doce ao despertar, o hipnotizava e encantava cada vez mais. Ela espreguiçara, esticara os braços ainda por baixo das cobertas, logo que esfregava os olhos ela os abria, com tamanha dificuldade que seu coração começava a acelerar – Havia algo errado consigo? – e quando finalmente conseguira abri-los, não via nada mais do que vultos, tão distantes e embaçados, insuficientes para que pudesse saber o que diabos estava a um palmo do seu nariz. Sentava-se na cama, num ato de desespero, piscava inúmeras vezes e esfregara os dedos nos olhos.
- NÃO! Não se aproxime!
Temerosa, gritava com o rapaz, que gentil, segurava suas mãos, desesperado para que ela acalmasse.
- Hei, estou aqui, lembra de mim?
A voz lhe parecia tão calma, que os gritos cessaram-se instantaneamente. Deitava-se na cama, sendo guiada pela palma da mão quente do rapaz em sua testa. O mesmo deslizava a mão por seu rosto, fechando-lhe os olhos. Era extremamente calmo, e tinha cheiro de camomila, parecia tão familiar – poderia ser algum parente, ou irmão, até mesmo marido. – mesmo que não soubesse quem era, parecia estar bem com ele, tomava então a decisão de deixa-lo apenas como um amigo muito querido, transmitia tanta confiança para ela, que jamais iria coloca-lo como qualquer outra Pessoa, jamais.
O rapaz, logo tratava de fechar as cortinas do quarto, uma a uma, enquanto ela levava as cobertas ao rosto, protegendo suas frágeis retinas, embranquecidas.
- O que aconteceu? – Parecia ser óbvio para ele, certamente lhe diria a resposta.
- Ah, por quê? – Não posso ver.
Não podia ver? Jamais olharia para meus olhos então? – Não se preocupe. Foi tudo o que disse para que a conversa mais uma vez viesse a ser um silêncio tímido e frágil, mas muito confortável.
Voltava para a cama, entre o acolchoado macio e ela, que permanecia de olhos fechados, ela sentia-o sentar-se ao seu lado. Sentava-se também, deixando ambos os corpos tão próximos que chegam a tocar-se pelos movimentos do tórax devido à respiração. Ele olhava fixamente para os lábios dela, agora ainda mais vivos e intensos, rosados e chamativos, pareciam realmente macios, e o chamava insanamente. Deslizava forçadamente o olhar pelos ombros da garota até que o mesmo chegava em seus seios, ressaltados no pijama que era dele. Eram belos, arredondados e firmes, não resistindo; ele voltava para o hipnotizador par de lábios da garota, passava a língua pelos seus próprios prendendo o inferior entre os dentes, aproximava-se do seu belo rosto e devagar e astuto quanto um filhote de gato.
Ao sentir a respiração do rapaz, tão próxima e quente, assustava-se, não sabia que reação teria de tomar, era confortável a princípio, mas passava a ser incômodo a partir do momento em que a garota percebera que ele não era nada dela, nada, poderia não ser ninguém, era o que sentia – mas e se fosse alguém e ela o recusasse, o que aconteceria? Ficaria bravo com ela? – afinal, ela dependia desse rapaz, e não poderia decepciona-lo assim, tão facilmente. Deixou aproximar-se, mas quem bloqueou a ação foi o próprio rapaz, parava ele, entre as peles alvas e macias, entre o fôlego ardente e desejoso, tão sutil – Não, não posso – Ela lhe parecia tão pura. Tão intocável. Não poderia deixar-se cair em tamanha tentação, não sabia quem era, não sabia porque estava ali, apenas estava, e quase tudo o que se bastava para ele. Não sabia mais o que fazer, o desejo havia lhe tomado quase toda a porcentagem de seus pensamentos, era inútil resistir, um dia cairia na armadilha de sua bela, Branca.
Enquanto isso, o que será que ela estava pensando, questionava-se, era tão forte e puro o sentimento, tanto quanto ela mesma. Seus cabelos ruivos, porque teriam de ser de forma tão perfeita e atraente para ele?
Ela o abraçava surpreendendo-o de forma tão rápida, que o mesmo se assustava, deixando-o retraído e insensato, como se nada mais importasse naquele momento. Ela o amou, para ela estava bom, poderia morrer ali, como se fosse a missão completa, como se fosse... – Chega – ele a envolvera nos braços, ainda mais forte do que ela havia feito, assim que deitaram a cabeça nos ombros um do outro, ela suspirou, intensamente, relaxava.
Sentia-se a mulher mais protegida do planeta. Apensar de não se lembrar do rosto dele, o mesmo lhe parecia lindo e fascinante.
Desejava que ele fosse seu
que fosse dele
desejava.




