Eu acho sentimento tão desnecessário, ainda mais quando se trata de amor. É como se você quisesse congelar a pessoa para si, para que pudesse olhar para ela durante toda a eternidade. É o egoísmo puro em forma de sentimento. Reação eletroquímica que passa pelo meu sangue até o meu cérebro. – Apenas cuide de mim, é tudo o que
eu desejo.

Lupéluco II – Organização dos Vetores
Carregava-a em seus braços firmes, enquanto ainda caminhava pela escura calçada naquela noite. Não parecia importar-se com a mulher estar desnuda. Ela observava sua pele alva refletindo a luz da lua, tão bem, que parecia sua própria. O olhar da pequena em seus braços era de todo tão inocente, ainda que fechados e com olheiras. Os lábios rosados, carnudos e atraentes, muito, muito atraentes, lhe pareciam tão macios... Delicados... Incandescentes. – E logo então chegara a sua casa. Abraçava a mulher o máximo de cuidado que conseguia, até que pudesse livrar uma de suas mãos, levava esta para o seu bolso e dali tirava a chave, levava o pedaço de metal nobre até o local destinado a esta na porta, e a girava, destrancando todas as 28 travas que nesta continham. O barulho era incômodo, e ele a pegava no colo com mais firmeza, agora, uma vez que ela se remexia – deveria estar tendo um sonho perturbado – Adentrou a sala, grande e escura.
A porta fechara sozinha. As cortinas na grande janela ao outro lado do mesmo cômodo caiam ao chão de forma graciosa, eram vermelhas, de um carmim intenso e insano. As paredes marrons, os móveis eram largos e altos, de madeira nitidamente maciça e bem tratada, reluzia. O lustre ao centro do teto parecia cálido, como se nunca tivesse falado na vida. O nobre então a levara para o quarto, subindo as escadas, degrau a degrau, cuidadoso.
Sentimento estranho este, era dó ou zelo?
Foi ai então que ele notara que estava preso à mulher, ainda nua, molhada e que de frio sua pele tomara um tom azulado, que mesmo sendo lindo, o preocupara. Deitava-a em sua própria cama, uma vez que achara que esta fosse a mais confortável da casa. Trazia ali uma toalha branca e macia, aonde vinha a passar pelo corpo sedutor da mulher, desenhava-o vagarosamente, do rosto aporcelanado até os seios e pernas. – Era tão linda, por que estava lá? Deixada... Largada – Enquanto faziam-se perguntas e matutava em sua cabeça o por quê por quê por quê...
O fato era que não tinha roupas femininas em sua casa, mas a vestiria com a melhor das suas, e cuidaria da menina até que ela acordasse. Foi então que examinara seu guarda roupa, todos aqueles trajes vitorianos, pareciam másculos de mais para ela, estragaria. Pegara um de seus pijamas mesmo, de veludo, o mais puro e brilhante. Vestira nela, peça a peça, cobrindo-a com os cobertores. Arrumava-a na cama, e por fim, não resistia em abaixar o rosto, e tocá-la, ali mesmo, com os lábios, estalando um beijo em seu semblante. – Vamos acorde – Pensava impaciente. Mal podia esperar para conhecê-la, nem para saber quem era.
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