quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pequena, gigante e branca. [ Parte única]

Ainda era manhã, eu notava o orvalho correr dentre as folhas, pingando uma a uma até encontrar a gélida e úmida grama, agora sob meus pés, já era a terceira noite que eu passava em claro, é triste não ter companhia para essas horas.

E mesmo com os primeiros raios matutinos, ainda não era dia, e eu então notei que havia algo diferente, havia ainda um luz branca muito branca apontando às 08:00 horas, um corpo celeste ainda reluzente em meio a tantos raios ultra-violeta, ainda reluzia com toda a força que podia, meu pálido rosto, marcava-se facilmente com o que era pressionado contra este, estava tão frio que demarcavam-se as veias, e outros pontos, de branco a roxo.

Continuei deitada, largada na grama, apenas olhando-a, era tão lindo, ver como lutava para não ser apagado pelo sol, resolvei tomar aquele corpo para mim. Parecia-me calmo e brando, como eu, paciente e persistente, coisas que eu admiro em qualquer ser humano que eu encontre. Já era quase 07:00 quando me levantei e entrei na cozinha, a mesa do café estava servida, mas não havia mais ninguém em casa. Fico pensando as vezes, se eu cochilei durante o devaneio. Eles costumam ser profundos a ponto de eu perder a noção de mim.

Minha mente não se passa de uma grande folha em branco, e as minhas idéias são muitos gizes de cera coloridos, minha imaginação os toma para si, e pinta com estes a minha vida, por isso sou tão alegre, acredito. Imagino que nas pessoas depressivas suas idéias sejam nanquim.

Não tomo café, não como logo de manhã, só tomo água normalmente, é difícil dizer ao certo o porquê, mas li em algum lugar que isso faz bem, ou foi eu que em um dos meus muitos devaneios imaginei isso, e acabei por acreditar, já foram tantas vezes que eu nem me lembro.

Acabara o copo d’água, e eu fui até a janela, observar se meu corpo celeste ainda estava lá. Mas ele havia sumido. Fiquei triste, por não poder vê-la, mas sei que ela está lá, que a luz dela não se apaga com o sol, não para ela mesma, ao menos, e mesmo que ela tenha morrido, a luz dela continuará lá, por muito tempo, muito tempo, muito tempo mesmo.

Todas as noites agora passo a fazer companhia para ela, ela deve sentir-se sozinha lá, como eu aqui, e agora nos completamos, eu me sinto bem perto dela, ela me ouve, e me entende, sabe dos meus problemas, se parece comigo e eu me pareço com ela. Gostaria que esta estivesse mais perto – e mais longe – dependendo da situação que ela esteja, é difícil de dizer como eu a amo, sem vê-la, nem tocá-la, é difícil pra mim falar deste tipo de coisa, e só mesmo você pode entender.

Minha pequena, gigante, branca.


3 contaminados adivertem:

V disse...

Inspirador, ajuda-nos a refletir sobre muita coisa. Cada caractere e frase que rasga os pixels nesse post é parte daquilo que muita gente sente mas não consegue expressar.

Leitura relaxante e memorável.

Mimi rocks disse...

Ai, maninha que bonito! *chorando*
Por que não me disse que tinha postado aqui? Eu leria na hora *--*
Nyaa, a minha irmã escreve tão bem!

Nini, eu te amo-amo-amo!

rodrigo oliveira disse...

Tia!