Era a rosa que havia desabrochado durante a primavera.Aquele belo botão que toda a beleza guardara durante o tempestuoso inverno, que aguentou com a firmeza de um urso os ventos fortes e cortantes, o rigoroso frio que cortava sem piedade seu rosto, e o mais intenso desprezo por ser um botão tão pequeno e sem vida.
Guardou por anos o melhor de si, para si mesma - prometendo que jamais deixaria que alguém tocasse seu coração de maneira que ficasse nele para sempre.
Lemus, durante o sonho - Parte II
Era bonita, de pele clara e uniforme, de olhos escuros e profundos; de tão pretos, seus cabelos, formavam um brilho azul-petróleo imensamente escuro e sombrio, dando a ela o toque que lhe faltaria, o ar misterioso que levava qualquer um a se perder.
Seus olhos eram eternamente lacrimejantes, sempre tão brilhosos, dando o poder de ser refletidos por qualquer coisa mais luminosa que sua própria pele.
Apesar de tudo o que pensava a respeito de um amor, ela deixava-se levar pelo destino, até que encontrasse em um antúlio, seu grande amor, aquele o qual ela levaria para toda a vida.
E então, coisas simples e detalhadas a levaram para um escuro prédio, com janelas cobertas por gotículas de orvalho -claro já se passavam das 3 horas- adentrou então, ainda que repudiada pelo eco de seus próprios sapatos no piso frio,e ali viu, outra rosa como ela, desabrochada, e que se sentara a espera de seu reflexo.
Deu a si mesma a liberdade de sentar-se ali também. Como eram macias aquele assento, pareciam as nuvens que em seus sonhos pairavam sobre o solo deixando com neblina o ambiente.
Vários cavalheiros vieram ali, retira-la para dançar, primeiro, um homem trajado de terno alinhavado, com uma gravata borboleta, mas sua energia era um tanto hostil. Em segundo, um rapa não muito amigável também, chegou com menos educação que o primeiro. Por terceiro e último, um homem com terno escuro e uniforme, camisa pólo branca e gravata escura, com os olhos tão puros e ingênuos que qualquer um poderia se encantar -sim - e dançaram a noite inteira, ali no centro do salão, era como em seus sonhos.
Ainda sim ela resistiu e não deixou que a tocasse. E assim foi, até badalar meia noite do dia seguinte. Com esse tempo, sem ambos terem dito nem meia palavra um ao outro, ela percebeu que ainda não era aquele, mesmo que por um instante, inconcientemente tivera deixado-o tocar-lhe intimamente.
Voltou a sentar-se ao lado da moça, que ainda permanecera ali, intacta. Era realmente muito agradável estar ao seu lado. Era mais que uma honra, soava-lhe como obrigação.

1 contaminados adivertem:
/chorei!
eu ainda quero um livro seu, com um dedicatória quilométrica na contra capa! ♥
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