domingo, 22 de fevereiro de 2009

Vossa Majestade e seu manto de folhas.

O mofo que vai crescendo, virando aquele bolor verde e quando menos se espera ficou cinza e criou casca.
A árvore sofre com o inquilino indesejado mais continua ali, a produzir sua seiva, perdendo a cor marrom e ficando verde e com uma segunda casca cinza. Maravilhosa e Gloriosamente majestosa lidando com o vento e dançando conforme o mesmo sopra.
A difícil tarefa diária de sobrevivência continua só que agora, com o sol, chove menos. E o inquilino indesejável continua a sugar sua seiva e barrar o sol de si, deixando de fazer assim sua respiração.
É agora então que as folhas começam a cair, uma por uma forrando a sua volta, para que quando cair, possa pelo menos não rachar.
Agora ela chora, jorrando mel por entre as cascas que secam e caem ao chão acompanhando o ritmo das folhas.
Mais um dia glorioso se vai, mas ela ali, parada gemendo e chorando sobre o vale, corcunda por não aguentar mais o próprio peso, para seu alívio, a garoa, fina e gelada, quase nada, mas melhor que qualquer outra coisa no mundo, que molha suas folhas secas, e sua seiva ainda bruta, umedecendo também os fungos que de si sobrevivem, e assim mais um crepúsculo torna a aparecer.
Não seria nada mais honrando do que aquele orvalho matutino escorrendo sobre seus galhos, mas agora secos, sendo assim, impossibilitando-a de sentir aquele prazer que mais apreciava. Sem folhas, sem seiva.
O vento forte trazendo a temporada de chuva agora deita delicadamente Vossa Majestade em seu manto de folhas secas, aonde poderá ela descansar.

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