domingo, 22 de fevereiro de 2009

Le Ouden, o exílio de uma mente brilhante. Leitura II


Hoje pela manhã quando debrucei na janela, encostei minhas mãos sobre o gélido batente de gasto marfim, e vi novamente aquela velha cena de todo dia. A Maria fumaça que anunciava ser mais um dia, e tão somente, mais um dia. Sobre as montanhas eu o via tão brilhante e quente como sempre, embora nunca tivesse me tocado para saber se realmente era tão quente quando diziam os livros, mas estava lá, começando mais outro dia.
Fiquei fitando-o por mais alguns segundos quando para minha surpresa vi alguém descendo do trem na estação, o que sim, é algo extremamente raro vindo daqui, mas, para novamente surpreender-me não desceram apenas um, e sim vários, eles trajavam roupas de cor azul-marinho, mas um azul-marinho impecavelmente profundo, o qual poderia admirar por horas e horas. – azul marinho, era realmente parecido com o mar para ter este nome? O mar das gravuras nas enciclopédias era de um azul de tom mais claro, não era lapiz lazuli, nem azul royal, mas... – havia medalhas em seus peitos e trajavam chapéus de formato cilíndrico, mas apenas em um havia uma estrela dourada, eles levavam tacos, parecidos com os de baseball, mas eram escuros e menores, possuindo cada um dois lugares para segurar.
Realmente assustado corri para frente de minha cama, logo, me sentando sobre esta, quando me deparei com meus pés descalços – como isto fora acontecer? – andei depressa até o outro lado do aposento e pus-me a calçar minhas botas de cano médio, era de um couro marrom, já meio gasto quase bege. Sem elas eu poderia ficar doente, pegar um resfriado, talvez até uma pneumonia!
Mas uma vez fui até minha janela, agora com um pouco da neve costumeira entre os vidros e as juntas de madeira, o que dificultava um pouco a minha visão do exterior do quarto, não ousaria bater nelas, isso poderia atrair pássaros, e pássaros trazem doenças, poderia pegar uma bronquite ou quem sabe piolhos! Nem ousaria abrir para retirar a neve, poderia ficar com hipotermia!
Mas uma vez corri até minha cama, e puxando uma manta de um vermelho espesso me cobri, e voltei para a janela aonde já não havia mais os guardas, apesar da neve nos vidros e a distância entre minha janela e a estação, as figuras estranhas não estavam mais lá. Fui até minha estante procurar livros sobre etnias para saber de onde eram os tais sujeitos.

1 contaminados adivertem: